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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Um pouco sobre mim


• Vida: Professora, Paulistana por circunstância, mas Pontagrossense de coração, 44 anos, casada, mãe de 3 filhos e um cachorro.
• Mandato: Coordenadora regional do PPS mulher, membro da Pastoral do Cárcere, e pré-candidata a Deputada Estadual.

Com qual figura histórica você mais se identifica?
Hillary Clinton. Me identifico muito com a sua imagem feminina, uma mulher maravilhosa! E com Zilda Arns, um símbolo de mulher guerreira, que conseguiu dar um pouquinho mais de paz ao mundo!

Qual característica não tolera nos outros?
A falsidade, porque quando você é falso em uma coisa, você é falso em tudo.

E em você?
A ingenuidade. Eu tenho um coração muito mole, e normalmente acredito muito nas palavras das outras pessoas.

Virtude que você considera mais importante...
É o amor incondicional de uma mãe que não mede esforços para que o filho suba na vida.

Maior arrependimento...
Ter saído da casa de minha mãe antes da hora.

Maior sonho...
Um mundo livre de TODAS as formas de preconceito!!

Maior pesadelo...
O triunfo da criminalidade.

Qual é o seu preço?
Ninguém jamais será capaz de me etiquetar feito um produto em uma prateleira.

Memória mais querida...
A do meu pai em casa, sentado em sua poltrona fumando seu cachimbo.

Um homem bonito...
Adoro o Sean Connery, e o brasileiríssimo Bruno Gagliasso.

Uma mulher bonita...
Claudinha Leite e Ruth Cardoso.

Qualidade que mais admira num homem...
A bondade.

E numa mulher?
A sensatez.

Maior desafio?
O mundo político.

Maior extravagância...
Ter comprado um conjunto de esmeraldas, que acabei perdendo em um quase fatal assalto a minha casa.

Remédio de cabeceira...
Não sou muito a favor de remédios....

Seu lema...
Liberdade, igualdade, fraternidade, e dignidade acima de tudo.

Ocupação favorita...
Assistir a um bom filme, com uma imensa bacia de pipocas, junto com meus filhos e marido.

Talentos que mais gostaria de ter...
Adoraria saber cantar!

Música no celular...
Detalhes, do Rei Roberto Carlos.

Escritor favorito...
Rodrigo Constantino e Jorge Amado.

Maior medo...
Envergonhar minha família.

Um presente...
O colar de pérolas que ganhei quando casei.

Um lugar na terra...
A praia, com toda a minha família.

Se o Céu existe, o que você gostaria de ouvir Deus dizer quando você chegasse lá?
Eu quero mesmo um abraço bem apertado e um amistoso “Seja bem vinda a minha casa!”

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Feliz Ano Novo... Feliz 2010!!!

O ano começou para mim com muita esperança e calma. Fazia tempo que não começava um ano com tanta seriedade e lucidez como comecei este. Estou feliz e muito contente pois minha família está mais próxima e me passa a certeza de que realmente é meu refúgio e meu porto seguro.
Minha equipe de trabalho está totalmente centrada e acreditando na nossa causa.
Sinto que será um ano diferente e maravilhoso...
Conto com boa saúde e disposição para encarar de frente meu sonho; o sonho de ser a primeira deputada Estadual da nossa cidade. Esse sonho me enche de vontade de lutar por cada voto, por cada mente e coração que tenho de conquistar.
O olhar e cada atitude machista que presencio faz com que eu tenha mais vontade de trazer mudança para a sociedade e a força que o povo demonstra a cada dia me renova e encontro forças que jamais achei que teria.
Será um ano bom... ano novo maravilhoso e cheio de graça!!!!!!!!
Espero que todos se juntem a mim e acreditem na força que nasce do destino e ousem acreditar no impossível...
Desejo um Feliz Ano Novo... Cheio de bençãos... Feliz 2010!!!
Sou Selma Cogo, mulher Ponta Grossense.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Da vivência surge a experiência

Hoje há 15 anos atrás eu estava entrando em uma maternidade do Bom Jesus para ganhar meu filho que já na barriga era chamado de Helinho. Estava preparada para o parto normal, fiz todos os exames do pré natal e, segundo meu obstetra, Dr. Gastão, tudo estava caminhando da melhor forma possível.
Mas a vida guarda algumas supresas,não é mesmo?
As contraçõe surgiram, porém não apresentava dilatação boa para o nascimento. O nervosismo começou a tomar conta de mim e percebi que algo não estava certo. Comecei a perder a visão, queda da pressão e o bebezinho, de tanto se mexer, saiu do encaixe. O médico anunciou que teria que fazer uma cesáriae com a autorização do meu marido parti para a sala cirúrgica.
A experiência do médico foi fundamental neste momento, tanto que me acalmou em uma simples conversinha para me distrair. De repente, quebrando o silêncio da sala, ecoou o som que eu mais esperava ouvir naquela hora. O obstetra anunciou: Olha quem chegou! o Helinhooooooooo vai com a mamãe?!
Depois disto tudo foi normal porém meu corpo sentiu muito mais com a cesariana do que se fosse o parto normal.
Utilizei a minha experiência para lembrar às mulheres a necessidade e a importãncia do acompanhamento pré-natal e a vantagem de se ter um parto normal.
É fundamental a intimidade paciente-médico pois, só assim, em uma emergência as coisas se resolvem.
Declaro-me a favor do parto normal visto seus benefícios na recuperação da mãe mas também defendo a utilização da cesariana em situações delicadas tanto para a mãe quanto para o bebê. Saúde em primeiro lugar!
Selma Cogo é mulher Pontagrossense!

sábado, 31 de outubro de 2009

Presídio!!!

Ontem fiz uma visita à cadeia pública. Meu trabalho até aqui era apenas o acompanhamento das necessidades das famílias dos presos. Mas para compreendermos melhor a família e suas necessidades aqui fora, devemos também conhecer o pedaço da família que está encarcerado.
Fui acompanhada da Pastoral do Cárcere, de um advogado voluntário e dos meus assistentes. Sentimos na pele que, realmente, a missão de adentrar esse mundo e resgatar essas pessoas á margem da sociedade, perdidas no fundo das celas, não é para qualquer um. Não basta ter a bondade de uma Madre Tereza, é preciso compreender o que acontece lá dentro e agir com a fé de que somos instrumentos de Deus nessa luta pelo resgate da sociedade.
O presídio Hildebrando de Souza tem capacidade para 170 presos, mas hoje está aproximadamente com 500 detentos. A super lotação e as condições precárias da instituição são o estopim das rebeliões. A revolta pela falta de espaço na cela, por terem de dormir empilhados na dureza do chão frio e a omissão do Estado por não oferecer um advogado gratuito, previsto em lei, potencilizam o ódio que essas pessoas sentem ao entrarem, tornando-os muito mais perigosos quando, de alguma forma, saem.
Sempre me coloco a favor das famílias e entendo que os problemas pelos quais essas famílias passam podem acontecer a muitas outras pois as drogas, o tráfico e qualquer outro tipo de ato ilícito não escolhe por cor, raça, sexo ou classe social.
A grande maioria dos presos que estão ali pensaram que poderiam ganhar dinheiro muito mais rápido e fácil para atenderem a algum tipo de necessidade, seja algum vício ou alguma necessidade mais elementar como comer ou se vestir. Mas, porque eles entenderam desta maneira? Onde foi que receberam esta mensagem da sociedade? Em que momento passaram a entender que infringir as leis era algo justificável?
Será porque assistem na TV os grandes traficantes serem tratados como estrelas ou porque eles apenas tentam conseguir através da força o que a sociedade deveria disponibilizar a todos sem distinçao?
Como cristã, acredito em Deus e entendo que os 10 mandamentos acabam sendo inseridos, de uma forma ou outra, nas leis dos homens. Acredito que Deus ou outra crença em poder maior e que pregue a bondade, juntamente com a lei, de alguma forma alicerces para a construção de uma sociedade mais segura e justa. Insisto no respeito e na base da sociedade, por isso, insistir na família é investir na sociedade.
Quando olhei para os rostos daqueles detentos, vi na grande maioria o arrependimento e o desespero. A necessidade de um olhar de mãe...
Não estou aqui para defendê-los e nem para julgá-los, mas defendo que é preciso tomarmos uma atitude em relação às condições que o Estado oferece para a real recuperação e reintegração desse indivíduo na sociedade.
Não vejo outra maneira de resolver essas condições se não nos envolvermos e cobrarmos do Estado o resgate dessa população que deve responder por seus delitos mas que também deve dispor de dispositivos para que saiam melhores pessoas do que quando entraram e não o contrário.
Lembre-se: Salvar um preso é salvar no mínimo 30 outras famílias.
Hoje quero dedicar esse post para todos aqueles voluntários que visitam os esquecidos pela sociedade na cadeia pública. E eu, como cidadã Pontagrossense, quero agradecer a todas as irmãs, irmãos, pastores, padres e agentes pastorais por vocês existirem. Que Deus possa guardar todos vocês e dar a saúde para continuarem nesta luta, porque a contribuição de vocês para a sociedade é muito maior que a do próprio Estado!
Selma Cogo, Mulher Pontagrossense!

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Dignidade

É a palavra que define uma linha de honestidade e ações corretas baseadas na justiça e nos direitos humanos, construída através dos anos, criando uma reputação moral favorável ao indivíduo. Respeitando todos os códigos de ética e cidadania e nunca os transgredindo, ferindo a moral e os direitos de outras pessoas.
Ser digno é obter merecimento ético por ações pautadas na justiça, honradez e na honestidade.
Esta semana comecei um trabalho de reconhecimento de campo se existe mesmo a tal dignidade. Observando e escutando as diversas reclamações de familiares que tem um de seus membros encarcerado, todos me relataram os constrangimentos passados para poder adentrar a cadeia para fazer a visita. Não importando o sexo, idade ou mesmo o estado de gravidez, indiferentemente todos passam pela nudez e o agachamento. Mulheres, cidadãs de bem com a sociedade e que são submetidas a esta humilhação em nome do grande amor pela família.
Mulheres que tem seus companheiros presos e que são obrigadas, muitas vezes, a continuar seu trabalho aqui fora, não tendo a opção de sair, pois se ousarem estarão mortas! E se por acaso forem pegas, serão também encarceradas e, consequentemente seus filhos ficarão para a avó cuidar. Aqui que se encontra o perigo, pois a função acaba passando de pai para filho. A avó se desespera e sai gritando aos quatro cantos para salvarem o que lhe resta...
Conversei com alguns amigos policiais e eles apresentaram a parte deles neste processo todo e é claro que você acaba entendendo que passar pela nudez e pelo constrangimento do agachamento é necessário porque algumas mulheres, a mando de seus companheiros presos, levam drogas dentro de seus corpos. Algumas delas foram pegas até com celulares e armas.
Na grande maioria, os presos entendem que o sistema, assim como o Estado, estão contra eles e existem somente para destruir suaa vidas e privá-los da liberdade.
Esta conversa foi muito além... Porém, somente com essas poucas informações, entendi que uma simples máquina de raios-X, como aquelas que existem nos aeroportos podem dar às famílias um conforto maior e dignidade nos dias de visita.
Também percebi que não existe um programa oferecido pelo Estado para os familiares destes presos, uma forma de assegurar que ser preso não seja uma 'herança' familiar.
Coloco-me a favor destes familiares e vou lutar pela máquina de raios-X nas cadeias para que as mulheres e familiares dos detentos não precisem passar por esse contrangimento "necessário". Também acredito ser extrememante necessária e urgente a construção de mais espaço para resolver o problema da super lotação.
Entendo que a oportunidade de dignidade é para todos e em qualquer situação.