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quarta-feira, 10 de março de 2010

O que devemos lembrar no Dia Internacional da Mulher

Há 153 anos , um grupo de 130 mulheres deu suas vidas na luta por uma sociedade mais justa e igualiaria. Atualmente, completamos cem anos em que a fatídica data em que essas mulheres morreram, trancadas e consumidas pelo fogo dentro da fabrica na qual manifestavam sua indignação perante uma sociedade injusta, foi escolhida como marco de uma luta que perdura até os dias de hoje.

Obviamente, o campo de batalha em que estamos inseridos atualmente não é, explicitamente, tão hostil quanto ao que essas heroínas enfrentaram. As mulheres conquistam a cada dia mais espaço dentro da sociedade, desempenhando as mais variadas tarefas e demonstrando o quão errônea era a classificação de sermos o sexo frágil ou naturalmente incapazes.

Acredito que temos muito que comemorar nesse dia internacional da mulher. Entretanto, não devemos deixar que a festa, merecida, pelo que foi conquistado nos faça esquecer do que ainda precisa ser feito. Por isso, devemos lembrar das mulheres que sofrem com a violência dentro de seus lares e que somaram só no ano de 2009 cerca de dois mil e novecentos casos. Lembrar também das mulheres que ainda ganham menos que os homens, não importando se desempenham a mesma função em igualdade ou até mesmo melhor. Além disso, devemos pensar também nas milhares de outra mulheres que vivem abaixo da linha da pobreza e que, em muitos casos, acabam por utilizar o próprio corpo como moeda de troca para assegurar uma sobrevivência que é prevista em lei e deve ser concedida pelo Estado.

O tempo de mudanças nas relações de gênero na sociedade ainda não cessou e é exatamente por isso que devemos lembrar das conquistas sem deixar de lado o longo caminho que temos de percorrer em busca de uma sociedade mais justa, onde não sejamos julgados com base em estereótipos degradantes, mas sim pelo nosso caráter e competência. Uma sociedade mais justa se constrói todos os dias e por isso devemos fazer valer os sacrifícios que tantas mulheres, anônimas ou conhecidas, fizeram em busca de um presente melhor e mais bonito não só para elas, mas para todos.

Desejo para as mulheres dos Campos Gerais sempre o melhor!

quarta-feira, 3 de março de 2010

O crime da intolerância

Vivemos em um país heterôgeneo em vários sentidos. Afinal, temos várias influências culturais vindas de fora e que acabaram por moldar nossos costumes. Entretanto, mesmo com toda essa diversidade presente no nosso dia-a-dia, o projeto de lei que pretende transformar o preconceito contra homossexuais em crime tem gerado uma polêmica imensa.
Lendo alguns jornais e sites da internet, fiquei estarrecida quando soube que, de acordo com o programa federal Brasil sem Homofobia , a cada três dias de 2008, foi detectado pelo menos um crime decorrente de ódio por orientação sexual no país. É lamentável que números como esse sejam possíveis dentro de uma sociedade que é vista pelo resto do mundo, em alguns casos até de forma pejorativa, como o país da liberdade.
Só podemos reivindicar uma sociedade justa quando somos justos com o próximo. A reação de alguns setores que são contra ao projeto de lei só fazem reafirmar a necessidade de se pensar meios de assegurar o convívio digno e seguro dessas pessoas dentro da sociedade. Obviamente, somente a existência de um projeto como esse não garante que, se aprovado, o preconceito será erradicado. Porém, é um passo a mais para que a intolerância seja derrotada.
Além disso, não é uma questão de opinião, de gostar ou não das escolhas que alguém fez, mas uma questão de respeito para com o próximo. Não só os homossexuais, mas também as outras parcelas da população que sofrem com o preconceito, velado ou não, são cidadãos, pagam impostos e tem sua dignidade como ser humano assegurada por lei. Por isso devem ser respeitados e protegidos pela justiça como qualquer outro brasileiro .
Por outro lado, criminalizar o preconceito é uma forma também de evitar que se chegue a outros crimes ligados a ele. Quem nunca ouviu falar de um homossexual que foi espancado ou morto somente porque outros não gostam de sua opção sexual. Esse tipo de atitude é um resquicío do barbarismo, em seu sentido mais cruel, que assola nossa sociedade e deve ser erradicado.
Seguramente, acredito que não só o preconceito contra homossexuais, mas sim toda forma de discriminação deve ser tratada de forma severa. Quantas mães e pais ainda deverão chorar porque seus filhos são ameaçados por não se encaixarem dentro de um estereótipo, de uma predefinição ou simplesmente convenção social?
Respeitar ao próximo como a si próprio é um dos pensamentos mais sensatos que conheço e, no entanto, muitas vezes, as pessoas que mais o citam são as que menos o levam para dentro de suas vidas. Por isso, toda a forma de assegurar que a sociedade não seja uma espécie de campo de batalha para os que já estão inseridos nela e os que hão de vir é uma forma de demonstrar o quanto as lutas anteriores pelo direito de viver em paz e em uma sociedade mais justa não foram em vão.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Quando o perigo mora em casa

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A violência doméstica ainda é um dos fatos mais lamentaveis que assolam a nossa sociedade. Ocorrida dentro do seio familiar, esse tipo de violencia é vivida principalmente pelas mulheres.
Ano após ano, mulheres são agredidas não somente de forma física, mas também moral por parceiros que em um momento ou outro as fizeram acreditar que poderiam ser felizes de alguma forma. Somente em Ponta Grossa, de acordo com dados da Delegacia da Mulher, 2,4 mil casos de violência doméstica foram registrados em 2009. Um número que pode parecer pequeno se levarmos em conta de que mais de 50% da população pontagrossense é mulher, ou seja, mais de 140.000 habitantes são do sexo feminino. Porém já é senso comum de que a maioria das mulheres agredidas sequer chegam a prestar denuncia. Diante disso, podemos presumir que esses indicadores são maiores na realidadeEsse fato se deve a várias circunstâncias, entre elas, a dependencia financeira e, em alguns casos, psicológica dessas mulheres que esperam que, de alguma forma, o parceiro caia em si e mude de conduta. Entretanto, a mudança de conduta está atrelada a outros fatores externos que influenciam consideravelmente na vida do casal, como o uso de álccol e de outros entorpecentes, coisas que são dificeis de se enfrentar quando o individuo já se encontra viciado.
A mulher, submetida a uma sociedade machista, sente-se oprimida e fraca para poder enfrentar toda uma estrutura de coação apresentada já nos primeiros meses de vida. Por isso, se quisermos pensar que uma mudança nesses números é possivel, devemos fazer com que, desde cedo, nossas crianças aprendam a conviver entre iguais. Que nossas filhas sintam-se apoiadas a seguirem suas vidas em busca da felicidade e que nossos filhos aprendam que o respeito é um pilar que deve sustentar nosso caráter. Somente dessa forma, criando a consciência de que todo ser humano, independente de sexo, idade ou orientação religiosa ou sexual, deve ser respeitado e protegido de qualquer tipo de agressão, poderemos reverter esse cenário.
Além disso, devemos demonstrar que qualquer tipo de violência é passivel de punição pelos dispositivos legais. A lei Maria da Penha foi um grande avanço nesse sentido, pois ela garante que o agressor será punido pelo crime que cometeu. Porém, de nada adianta a lei estar somente no papel, e as mulheres, principais interessadas em que a lei seja respeitada não reivindiquem seu cumprimento.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Violência contra a mulher Pontagrossense


Em 2009 a Delegacia da Mulher de Ponta Grossa registrou mais de 2,9 mil casos de violência contra a mulher. Grande parte das mulheres que sofrem essa violência são vítimas dos companheiros, muitas vezes alcoolizados, e até mesmo usuários de drogas ilícitas, especialmente o crack.

A maioria dos casos que chegam a polícia acontecem em famílias de menor poder aquisitivo, mas nem sempre a insistência da mulher em viver com o marido agressor está relacionado à questão financeira, em alguns casos a dependência é emocional, pois muitas vezes é a mulher que sustenta o marido.

O momento de denunciar o companheiro varia de mulher pra mulher. Para algumas basta apenas uma agressão física para fazer a denúncia, para outras o caso se alastra por muitos anos até que ela tenha coragem para levar o caso até a delegacia.

A Lei Maria da Penha alterou o Código Penal, permitindo que os agressores sejam presos em flagrante e tenham a prisão preventiva decretada. Acabaram-se aquelas penas em que o agressor deve pagar cestas básicas ou multas, agora o juiz pode determinar o comparecimento obrigatório do agressor em programas de recuperação e reeducação.

É muito triste imaginar que muitas mulheres vivem essa situação deplorável todos os dias. Muitas vezes a mulher apenas espera uma mudança de atitude do companheiro que a agrediu, e é por isso que aguentam tanto tempo caladas. Uma vida sem violência é direito das mulheres. Penso que as mulheres devem se unir e lutar contra esse problema tão grave em nossa cidade, e denunciar todas as vezes em que alguma violência seja feita.


terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Um pouquinho de história!

Uma longa tradição europeia que perdurou até o final do século XVII, considerava as mulheres seres inferiores aos homens. Pouco racionais, emotivas e organizadas serviam apenas para a procriação. Este era o conceito dominante naquela época, e não muito mudou ao longo dos séculos.

Apesar desta realidade, é fácil constatar que ao longo dos séculos muitas mulheres se destacaram, e foram tratadas de exceções pela história, e como tais, foram valorizadas.

A partir do século XVIII, uma lenta ruptura nesses conceitos foi sendo desenvolvida, e as idéias dos direitos naturais do Homem foram sendo aderidas. John Locke e o próprio Rousseau passaram a defender que os homens nascem livres e iguais em direitos. Quando se tratava de mulheres, a resposta sempre era a mesma: as mulheres não são homens e, portanto a igualdade de direitos não lhes era aplicada.

A defesa da igualdade de direitos que incendiou os séculos XVIII e depois o século XIX acabou por estimular as mulheres exigirem os mesmos direitos que os homens. Uma das primeiras mulheres a fazê-lo foi a inglesa Maria Wollstonecraft, na sua obra Reivindicação dos direitos da Mulher, publicada em 1792, exige a igualdade entre os direitos políticos de homens e mulheres.

A hipocrisia da sociedade burguesa do século XIX foi-se tornando cada vez mais evidente aos olhos das próprias mulheres, aumentado o número das que reivindicavam os mesmos direitos políticos que os homens. Nos EUA, em 1869, funda-se a célebre Associação Nacional de Sufrágio Feminino que reivindicava os mesmos direitos políticos para as mulheres. Era o começo do movimento sufragista. Os partidos de esquerda e as organizações sindicais, apenas nos final do século passam também a bater-se pelos direitos políticos das mulheres.

Quando a situação se tornou insustentável, as mulheres passaram a ter direito de voto em muitos países, mas quase sempre com enormes limitações que levavam dezenas de anos a serem superadas.

Penso que a mulher foi criada para caminhar ao lado do homem, portanto deve sim ser respeitada, e ter os mesmos direitos sociais que os homens têm.